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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Morando na tristeza descobri a solidão da minha alma | Escritos


Leia ouvindo: Explodir - Anavitoria

Começar o ano lendo as palavras de Rupi me faz lembrar do privilégio que é estar viva. Nos últimos meses de 2020, descobri ter depressão, foi uma coisa doida e muito doída, especialmente ouvir isso depois de tantos meses complicados em muitos sentidos. Enxergar o arco-íris depois chuva nunca pareceu tão distante, escrevi muito e boa parte dessas coisas é tão triste que nem queria colocar ‘online’, é íntimo demais. Esse site nasceu com o intuito de compartilhar textos e as leituras que fazia ao longo da minha trajetória como blogueira literária e se tornou um portal bem influente, grande e conseguimos participar e mediar eventos, parceiras e conquistar muita coisa.


Arrisco dizer que manter o Escritos & Livros foi que me manteve viva e sã nos últimos anos. Em todas as fases que me mantive distante do blog e meus projetos me afundei em tristeza, uma tristeza que nem cabe nas palavras escritas por mim, mas que dançaram com as de Sylvia Plath que mesmo sem nunca ter me conhecido me alertou na leitura de A Redoma de vidro até onde minha mente pode chegar. É um grande paradoxo dizer que os livros me salvam desde criança e continuam trilhando os caminhos que quero para mim, mas como disse Maya Angelou no seu livro Carta a minha filha"Acredito que carregamos as sombras, os sonhos, os medos e monstros da casa debaixo da pele, nos cantos externos dos olhos e talvez na cartilagem do lóbulo da orelha".


A tristeza pode até ter e levado a lugares sombrios, mas escuridão também pode ser um lar quando se tem luz dentro de si. Felizmente sou muito bem protegida e nunca ando sozinha espiritualmente, tenho certeza que para além desse plano tenho muito aconchego espiritual e foi que me tirou da cama nos últimos dias do ano. E me deu força para começar 2021 em meio a sorrisos com quem eu amo do lado, sem mais amores que não cabem e que são dores disfarçadas, sem projeções e carregando pesos dos outros. Quem saiu da minha vida em 2020, obrigada de verdade, me sinto mais leve e com certeza estão todos melhores sem mim. Sempre acreditei que a toxidade também pode partir de mim, afinal não sou um alecrim dourado que nunca errou. Sou feita dos meus erros, acertos e das pessoas que amei. Tomando consciência disso, corrigi alguns comportamentos ao longo dos anos, porém nunca me excluindo da possibilidade de cometer eles de novo e sempre aberta a pedir desculpas.


Morando na tristeza descobri a solidão da minha alma, dancei na chuva com ela e descobri que ainda posso me tirar para dançar. Escrever esses novos capítulos de um ano que não me prometeu nada, mas que me deixou feliz em meio ao caos. 


Um abraço leitor, feliz ano novo.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Morando na tristeza descobri a solidão da minha alma | Escritos

domingo, 30 de agosto de 2020

Aniversário e acaso | Escritos

 

Imagem: Pinterest

Já passava da meia-noite, era dia primeiro. Estávamos sentados em um bar escuro e com algumas poucas pessoas ocupando aquele espaço junto conosco. 

A cerveja chegou. Os caixas de som  na parede ecoavam musicas aleatórias e antigas que tenho certeza, eram conhecidas por todos ali. Naquela noite você bebeu minha cerveja favorita que eu abri no dente como de costume. 

E lá estávamos. Eu e você, sentados num bar escuro, sentados ao redor de umamesa alta no canto da parede com dois lugares, que, eu e você ocupávamos como se fossem os melhores lugares no melhor bar do mundo.

A gente quase não falava nada, era mais estranho pra mim que pra você comemorar teu aniversário daquele jeito, juntos, como se o resto do mundo e tudo que vinha com esse “juntos” não existisse. Você fez questão, e eu fui, sem requer fazer qualquer objeção entrei no teu carro disposta a comemorar do jeito que você quisesse. E você quis que fosse apenas eu e você.

 Eu estava me divertindo com uma música do rouge, ou seria Michael Jackson? Não lembro, mas lembro de sentir teus olhos me observando, era o que você sabia fazer de melhor. Me observar, e então entre uma música e outra sentei naquele banco alto, você me olhou. 

Me disse, entre um gole e outro de cerveja, me olhando todo calmo que não acreditava no acaso.

Entendi o que você quis dizer e brindamos.

Brindamos todos os clichês e todo o passado escuro atrás de nós. Brindamos e você dançou comigo. Brindamos de novo, o bar agora mais vazio. Você segurou minha mão e me beijou. Sorriu. Sentou naquele banco alto de madeira, tirou o celular do bolso enquanto eu dançava você me registrava. Fotos? Vídeos? Não sei, você nunca me mostrou. Era pra você, porquê no fundo sabíamos que não ia durar. Pra você o registro sempre foi em fotos e vídeos que eram feitos timidamente e as vezes escondido. Mas pra mim sempre foram essas palavras tolas que me sufocaram durante os meses em que você esteve no mar.

Esses dias me lembrei do dia primeiro, foi uma lembrança boa, dessas que vem como quem não quer nada. 

Então, me vi de volta naquele dia.

Sentada numa cadeira antiga, no terraço do teu apartamento completamente atordoada pesquisando o significado de acaso; enquanto você dormia no quarto ao lado. De repente, acaso não significava mais nada para mim.

Se alguém me perguntar hoje o que é acaso,

eu vou dar a definição que li no

Google naquele dia.


Seca e direta.


Não vou mais filosofar.
Deixar que surjam conversas longas.
Conversas inteiteiras, conversas que se perdem
Não vou mais criar teorias pra coisas que...
Coisas que simplesmente aconteceram.
Uma palavra, algo que eu se quer acreditava
já não tem mais o mesmo sentido.
Você estragou. Me fez desaprender.


Eu não sei mais o que é acaso, não sei se acredito.

Logo eu, uma grande fã do destino que sempre carregou tanto desprezo sobre o acaso, agora espera que o acaso aconteça. Aluns anos depois e a definição que eu tinha de acaso e o desprezo sumiram com você. 

Eu não sabia mais o que era acaso.
Mas podia afirmar com toda certeza,
como você me disse naquela noite
que não acreditava nele,
que o que aconteceu conosco não foi obra dele.

domingo, 30 de agosto de 2020

Aniversário e acaso | Escritos

domingo, 19 de julho de 2020

Estrangeira de si mesma | Escritos

Imagem: Google / Reprodução

Leia ouvindo: Billy Joel - Vienna

Quando parti para morar em outro estado pensei que tinha me livrado de antigos sentimentos, pequenas memórias afetivas tão dolorosas quanto escrever esse texto e reviver todas elas. Lembrar o que um sono desregulado embalado de ansiedade pode me causar. É muito doido, porque se isso fosse há três anos, nunca escreveria esse texto em algum lugar público e se escrevesse em menos de uma semana tiraria do ar. Ter que lidar com os pequenos fantasmas do meu passado e ser estrangeira de (si) mesma, se tornou recorrente para a mulher que tem feito sua vida caber numa mala.

Tinha esquecido qual era a sensação de ter uma crise seguida da outra e de ficar entorpecida pelo sentimento de que não conheço os meus próprios sentimentos, que minhas palavras podem ser a armadilha para o que sinto. Nem sempre a literatura ou a escrita ali a espreita no meu diário azul podem me segurar nesse plano.

Algumas coisas por mais dolorosas do que possam ser ditas, cresceram comigo e estão aqui, se curando depois de muitos anos pela leitura de um livro chamado As coisas que você só vê quando desacelera.
"Quando estiver pronto, reúna coragem e tome uma decisão. Embora seu coração não vá dar ouvidos a sua mente, decida perdoar e se livrar das amarras emocionais." pag.104, edição pocket. 
Ainda está bem dolorido as feridas que causei a mim mesma e uma hora ou outras elas voltam à tona, sem que eu sequer lembre que elas existiram. Acredito que encontrar aqueles diários antigos, textos mal-acabados em folhas de rascunho de cursinho e apostilas que se quer toquei, mas escrevi em cima de todas elas o que uma garotinha assustada de dezessete anos sentia, mudaram muita coisa por aqui. 

A minha versão de vinte e dois anos recém completos, já passou por outras situações mais pesadas, complexas e que nem longe a quebraram tanto quanto estranhamento daquele elo de jovem escritora (continuo jovem, mas sinto uma velha escrevendo isso, um dos meus velhos complexos) que odiava ter que assistir aquelas aulas de matemática, ter aulas de domingo à domingo, sem um dia de paz para escrever e não ser mais estrangeira de si mesma.

O que me lembra o longa e o diretor que entrevistei para uma cadeira da Universidade, aquele filme veio num momento crucial. Numa cidade diferente com gente que honestamente me ensinou a como não tratar as pessoas e como não deixar que invadam seu espaço. Essa ferida cicatrizou, mas a lição ficou e que bom sabe. Estrangeiro, longa de Edson Lemos, me mostrou a lição que minha antiga psicóloga dizia sobre eu me comportar como uma mulher de 30 anos e não uma jovem de 19 anos, ainda existia. Toda vez que pontuo essa questão o mundo parece outro lugar ainda mais vulnerável, fui forçada a amadurecer tão cedo que quando me pego pensando em todas as crises pessoais, existenciais, ansiosas e pessoas se aproveitando da minha boa vontade, sentimentos de solidariedade e depois jogando eles contra mim de novo porque decidi  algo que não as agradasse.

É uma grande lição de si mesma, entender suas próprias contradições, seu passado e se abraçar com afeto. 

Ainda não aprendi como fazer isso direito, mas esse processo é bem doído, principalmente entender que ainda tenho resquícios de uma versão de mim que nem sempre foi a melhor possível, porém que sempre esteve disposta a aprender, mudar e buscar o melhor caminho para si mesma, só não tinha gente do lado que soubesse respeitar os seus processos, mas que bom que agora tem.

domingo, 19 de julho de 2020

Estrangeira de si mesma | Escritos

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Arquétipo de uma Escritora


                    
                                                        Imagem: Google

Quase sempre me perguntam como arrumo inspiração pra escrever, bem, hoje decidi esclarecer o que me instiga a continuar com isso.

Não sei como arrumo inspiração para me sacramentar no gênero crônica, só sei que arrumo. Quer dizer, “arrumar” é um termo relativamente pejorativo quando estou falando da escrita, prefiro dizer que que as palavras nascem porque devem nascer. É a necessidade de expressão, o que me salva da realidade. 

A escrita é um deleite - pra quem lê - e uma tortura pra quem disserta. 
Digo, não se sabe como o outro vai reagir aquele seu reflexo... escrever é a minha arte e a minha fraqueza. E não, a escrita não precisa ser baseada em fatos reais, não estou pleiteando nenhum Oscar ou coisa do tipo. 

Deixando de lado a vaidade que há em mim, assumo que o que me instiga a escrever e continuar escrevendo é unicamente a necessidade de sentir e deixar fluir.  Me refaço em outros personagens, outros cenários, outras cores e outras dores. Considero quase como magia.  

Queria escrever mais. Queria escrever sobre escrever. Queria escrever sobre o quanto gosto de escrever. Queria escrever sobre o que escrever me faz sentir, porque de todos os meus amores e de tudo o que passa por mim, minha escrita não me abandona - até porque vivo pedindo a Deus pra me livrar desse momento. Por Deus, não. Eu deixaria de ser eu. Queria escrever sobre escrever e escrever e escrever.

Tá, assumo, há uma obsessão nisso. Mas somos assim mesmo! Nos apaixonamos e só queremos falar sobre a pessoa dos sonhos. Nos decepcionamos e só queremos falar sobre a dor. Arrumamos um emprego e só queremos falar sobre o emprego. Assim sucessivamente. Repetitivos e enfadonhos, eu diria. 

Assim sou com a escrita.

Às vezes me sinto tão sufocada com a realidade que não consigo falar sobre absolutamente nada. Mal consigo pensar, fico aprisionada num turbilhão de coisas. A escrita quase sempre me salva, me compreendendo melhor do que eu mesma. Sempre foi assim, acho que estou aprisionada. 

Reconhecimento nunca esteve em questão. Faço por mim. Essa sou eu. 

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Arquétipo de uma Escritora

domingo, 12 de abril de 2020

Descobrindo novos territórios dentro de mim | Escritos


É doido como as coisas acontecem numa velocidade estranha, maluca e completamente no tempo certo. Não sei o que universo, destino e a vida num geral tem para mim nos próximos anos, mas é muito bom estar acordada às quatro da manhã e escrevendo sem ser por ansiedade ou estar numa crise doida que não me deixa desligar o cérebro. Não que eu consiga fazer isso sabe, ainda estou aprendendo a lidar com minha criatividade e entender que a ansiedade não tem nada a ver com isso e que estou no controle do meu corpo e mente.

Ainda é um território novo, meio hostil e talvez um pouco vazio, mas desbravar novas áreas dentro de mim mesma tem sido uma tarefa legal, bacana e audaciosa da minha nova fase. Conhecer a si mesmo é complexo, difícil e curioso ao mesmo tempo. Acho que a terapia tem muita culpa nesse processo, a perca do medo, a reinvenção de si mesmo e encontro/descoberta de um novo eu. Comecei o ano passado numa cidade diferente com gente diferente que me ensinou bastante coisa, especialmente quem quero e não quero me tornar. Todos estamos fadados ao erro né, nascemos errantes e morreremos com uma única certeza, de que acertar é possível, mas sem os erros a mudança não é possível. Como aprender se você nunca errou ao tentar? Como começar se você não se sabe nem por onde e que não existe um só caminho certo? 

Perguntas que ainda não encontrei resposta. E, sinceramente, não espero achar, pois também há beleza no que não pode ser definido plenamente, o que seria da vida sem ressignificados que o João (@akapoeta) escreve? É tão bom poder enxergar poesia no que outro vê, sente e escreve torna essa nossa passagem por aqui menos sombria. Sim, estamos todos só de passagem, você ai, eu aqui enquanto escrevo e metade do brasil ficando em casa nessa quarentena enquanto a outra metade não tão privilégiada trabalha e se expõe. Está tudo interligado e talvez nem tenha um real sentido para muita gente que se deparar com esse texto escrito por aí, mas algum lugar num domingo a noite sentado, lendo e escrevendo espero que a lei do acaso possa te abraçar.  

domingo, 12 de abril de 2020

Descobrindo novos territórios dentro de mim | Escritos

domingo, 22 de dezembro de 2019

O tempo para uma ansiosa | Escritos

Imagem: Pinterest
Este texto pode conter gatilhos para ansiosos.*

Leia ouvindo: Mistério - Anavitória

É estranho para mim uma pessoa ansiosa acreditar ou esperar que o tempo resolva tudo. 

Quando minha mãe me dizia que crescer levava tempo e que deveria aproveitar o meu sendo criança, não entendia muito bem o que ela queria dizer. Tem uma música do EP, Anavitória canta para pessoas pequenas, grandes e não pessoas também que particularmente é minha favorita, mistério, é nome da canção e numa das estrofes diz "Quem é que fez o tempo ter lugar lá dentro do relógio? Dá pra poder calcular talvez, o quanto deve demorar" olhando para o passado, pensando em todas as vezes que vovó me disse que devia confiar no tempo que ele era o melhor remédio para tudo. E, assim mesmo sem saber que era exatamente aquilo que precisa ouvir, percebi que minha relação com o tempo e a sensação que ele escapa entre meus dedos vem da minha falta de paciência em respeitar o meu próprio tempo.

Atropelar minhas ações é claramente minha sina nesta vida. Tanto pela falta de paciência comigo mesma como pela minha constante necessidade de estar em movimento. Uma vez uma pessoa me disse que eu era como água, mutável e que escorria pelos dedos. Na hora eu sorri e achei uma comparação engraçada, mas depois de uma sessão de terapia no começo do meu tratamento com ansiedade minha psicóloga disse que teve a mesma sensação assim que conversamos nas primeiras sessões. 

É uma concepção diferente do que estava acostuma ouvir de mim mesma, mas que foi de suma importância naquele momento. Em 2018 entrei numa espiral maluca de descobrir quem eu era achando que sabia, uma parte de mim tinha ficado no meio do caminho, outra tinha se confundido pela ansiedade e as certezas sobre mim viraram uma bola de neve de dúvidas. Provavelmente a fase mais difícil que já vivi nessas transições pessoais.

Reconhecer que não conseguia mais sozinha lidar com aquelas sensações veio depois de uma das minhas crises mais intensas. Foi um mês difícil, não conseguia mais resolver as coisas mais básicas e o que sentia era uma bomba relógio no meu peito prestes a explodir no meu peito. Quando ela explodiu me partiu ao meio e parte de mim acredita que talvez nunca mais eu seja a mesma. E ainda bem por isso, aprendi tanta coisa sobre mim com isso e conheci a minha versão mais forte de mim mesma.  E a que não é tão forte assim, mas que aprender que está tudo bem em sentar e chorar quando tudo parece um bagunça já que as soluções não caem do céu. 

Esse ano foi uma ladeira de autoconhecimento, dolorosa, árdua e muito gostosa também. Várias coisas perderam o sentido no meio do caminho, mas outras tomaram um rumo inesperado, encerraram um ciclo e principalmente me mostraram a pessoa que quero ser ou que estava prestes a me tornar quando ninguém estava olhando.  

domingo, 22 de dezembro de 2019

O tempo para uma ansiosa | Escritos

domingo, 18 de agosto de 2019

O mais difícil de seguir, é seguir | Escritos

Imagem: Pinterest


Encontrar um outro caminho foi fácil já que larguei um estado e vim morar em outro, mas ninguém me disse como seria doloroso redesenhar uma rotina não tivesse mais nós dois. E que nos domingos não íamos compartilhas nossas desavenças quando tivéssemos uma semana complicada sem poder nos ver, só sentar e conversar ou quem sabe apreciar a vista da praia do calçadão com os dedinhos entrelaçados e sorrisos leves de fim de tarde.   

Os domingos por aqui são frios e enrolados num edredom compartilhando minha rinite com meu livro inacabado no docs. Essa cidade não é quente como a nossa, o inverno aqui é sombrio, mas também pode ser acolhedor se estiver cercada das pessoas certas. Mas como seguir quando a gente nem tomou um rumo de fato? Eu tenho tantas dúvidas que achava que tinham se tornado certezas antes vir pra cá. Todo dia aprendo uma lição nova sobre mim mesma que achei já ter aprendido. Sempre ocupo a mente com coisas novas, escrevo, danço, brinco, beijo, abraço e às vezes a bad bate e olha é complicado confortá-la sabe? Não tanto quanto a saudade, pois quando releio em silêncios textos que escrevi nas notas do celular e que nunca vou te mostrar afinal não costumo compartilhar minha escrita com quem compartilho afetos é pedaço de mim profundo demais para se mostrar assim fácil. 

Nem sempre ela é leve ou explicativa, porém é sempre cheia de significado e nem todo mundo sabe compreender as entrelinhas, pois a maioria das pessoas está mais preocupada em descobrir para quem escrevi essas linhas. O que é engraçado nunca nego para quem escrevo, mas também nunca revelo sobre quem exatamente estou falando. A beleza de compartilhar certos versos que literalmente saem de dentro de mim é não encontrar um destinatário. Nem tudo precisa de um remetente com destino fixo, as vezes é só mais um texto e só mais sentimento que vai perdendo o sentido ao longo do tempo. 

A escrita sempre ocupa os espaços vazios da nossa rotina assim como os amigos conquistam espaços no meu dia a dia e vou deixando tudo fluir encontrando um novo lar para mim.

O mais difícil de seguir, não é seguir, mas te observar daqui.

domingo, 18 de agosto de 2019

O mais difícil de seguir, é seguir | Escritos

terça-feira, 30 de abril de 2019

A responsabilidade de cuidar só de mim | Escritos


Cada vez que vou e volto ao Recife sinto que uma parte de mim fica. Dessa vez, é como se alguém tivesse arrancando minhas raízes e já não faço mais parte da cidade que tanto amo. Cresci aqui, chorei nos ônibus dessa cidade (no metrô também), vive amores e alguns desamores também (talvez mais desamores). A cada pôr do sol me sentia mais em casa, mas dessa vez quando sol se pôs senti que já não faço mais parte daqui.

É doloroso ir embora, e a cada despedida uma parte de mim se esvai mais. Não quis festa, nem quis que me trouxessem na rodoviária da primeira vez, ninguém além do meu melhor amigo de infância. Isso causou uma estranheza geral, mas sou uma manteiga derretida o primeiro amigo chorando ia dizer: eu fico. Conheço meus limites e não vão muito além do que gostaria.

Sair da casa dos meus pais vem sendo a experiência mais louca da minha vida. Todo dia é uma surpresa nova, na maioria das vezes não é algo muito positivo. Mas foi bom e importante dar de cara na porta em alguns momentos. Sempre me julgaram muito madura pra minha idade, porém minha psicóloga me disse uma vez que não tinha aprendido a viver conforme a minha idade pelas responsabilidades que me foram concedidas enquanto nova. Essa coisa de "ah, mas a mulher amadurece mais rápido que o homem" tudo uma baboseira, mulheres são sexualizadas mais cedo e é essa a desculpa que um bando de homens usam para dizer "fecha as pernas" "ai mas você é tão novinha para ter esse corpo de mulher" "ah mas ela tinha cabeça de mulher".

Crescer para fora de um estereótipo machista cujo só estava destinada a "dar trabalho ao meu pai" me frustrou em diversas partes da minha vida, que só enxerguei agora caminhando para a vida adulta. Agradeço muito pela oportunidade e reconheço todos os meus privilégios em poder largar uma bolsa numa faculdade particular e ir cursar uma pública com pais que abraçaram o meu sonho como se fosse deles e trabalham muito para que possa se tornar real.

Só que ainda é tão complicado entender que agora sou apenas responsável por mim mesma e nada mais. 

terça-feira, 30 de abril de 2019

A responsabilidade de cuidar só de mim | Escritos

quarta-feira, 13 de março de 2019

Desconectada de mim | Escritos

Foto: Tumblr

Toda vez que as palavras fogem de mim, me desconecto de mim mesma. É incrível como a escrita me salva dos acúmulos dentro do peito e das minhas crises mais horríveis. Agora escrevendo isso eu até posso sentir uma dessas vindo, mas a cada palavra escrita é como se doesse menos. É muito difícil levantar todo dia, saber que tem uma vida toda pela frente quando quem se ama foi embora e não vai voltar mais. A vida é um sopro e cada dia que passa fico mais certa disso. Me mudei para uma cidade nova e apesar de levantar todo dia para ir a aula, anotar assuntos, responder perguntas, conversar e interagir sinto que parte de mim ainda fica adormecendo todo dia na minha cama. É como se não conseguisse mais vivenciar a mesma experiência de quando vim nas primeiras semanas antes do carnaval.

Alternar entre dor e tristeza profunda é um dos tantos estágios do luto. Apesar de a saudade me castigar todo dia ainda não parece que minha amiga se foi. Vejo nossas fotos, releio meu texto de despedida, olho para a pontinha da agulha no meu braço do dia em que doei sangue e ainda não parece real. Prometi que sua memória e legado enquanto pessoa viveriam comigo, Nicole, o vestibular solidário e todas as nossas amigas. Ainda leio suas mensagens no grupo às vezes, mas queria era ter coragem para escutar um de seus áudios sem ficar em prantos. Seu aniversário está se aproximando e sei que nesse dia levantar da cama e viver sem ti vai doer mais que o de costume.

Me apoiar na escrita era meu refúgio, mas nem isso tem me ajudado muito já que escrever se tornou uma tarefa quase impossível com o bloqueio. As leituras andam bagunçadas, a vida tento organizar um pouco todo dia, o coração parece mais leve num dia e no outro pesa de saudade de ti, meu cachorro, meus livros, meus pais, minha avó e os meu amigos. As noites aqui são frias e não tão quentes como em Recife o que faz com que me enrole no meu edredom e não queira sair de lá no dia seguinte, mas saio sabe. Me arrasto até o banheiro, escovo os dentes, visto uma roupa e calço um sapato. Sei que odiaria que me afundasse na ansiedade ou nos meus complexos internos e deixasse de viver. Por isso acordo, penso na sua força e até peço um pouco dela emprestada e assim vou viver.

Só viver.
Leve, devagar e uma coisa de cada vez.
Num ritmo menos Andresa de ser que estava sempre ligada no duzentos e vinte, mas aos poucos vou recobrando os sentidos a confiança em mim mesma, nas palavras e no que planejei viver aqui nessa cidade.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Desconectada de mim | Escritos

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Começando do zero | Escritos

Leia ouvindo: Viva - Zimbra

Quando se tem ansiedade o simples ato de recomeçar é difícil. 

Nós últimos três anos, escrever nesse blog tem sido uma das poucas coisas na quais concentro minha energia e me faz extremamente feliz. Neste ano todos os projetos em que me envolvi ou simplesmente arquitetei deram muito errado. E no começo foi inevitável não me culpar, me comparar e ter vontade de desistir de novo. Sim, de novo. A ideia de apagar este site sempre me assombra nos momentos mais complicados da minha vida pessoal, profissional e adulta. Não tenho mais treze anos, mas às vezes me sinto como uma garotinha assustada na maior parte do tempo. O diagnóstico da ansiedade colaborou de certa forma com tudo. Sempre me cobrei demais, pois fui criada dessa maneira e não sei sei gentil e compreensiva comigo mesma, mas estou aprendendo sobre isso na terapia.

Às vezes eu preciso me permitir desmoronar e entender que está tudo bem, pois não sou uma grande muralha. É como a Clarice Freire uma das minhas autoras favoritas escreveu uma vez "Tentando segurar água entre os dedos, vi o quanto é inútil me segurar aos meu medos." Comentei sobre deixar de ser medrosa a pequenos passos nesse texto aqui. Em comparação aos últimos anos adquiri a postura da mulher cofiante e que entende que vai dar sim pode dar errado, pois ninguém além de Deus pode ter o controle de tudo. (escrevendo isso, mas sigo afastada de religião e me sinto muito melhor assim, pois quanto mais conheço a repeito de religião mais entendo que isso não tem nada a ver com Deus)

Uma das minhas melhores amigas viajou na terça passada para um dos lugares que mais quero conhecer no mundo e na companhia dela. E isso me deixou muto feliz por ela estra tendo essa oportunidade, mas deixou meu coração morrendo de saudade e a despedida dela me rendeu um conto que estou pensando em escrever e postar no natal (sem promessas rs). Me senti muito na necessidade de escrever sobre isso por aqui, pois desde que escrevi sobre saúde mental por aqui tive muitos comentários positivos a respeito (eu chorei com algumas mensagens). Provavelmente está é a minha crise dos vinte se prolongando mais do que devia, porém ao mesmo tempo que vivi coisas dolorosas demais como perder o meu avô, entrar em crise por mais vezes do que posso contar e perder o primeiro show da minha banda favorita na cidade.

Conheci pessoas amáveis que espero sempre manter contato pela energia boa e conversa bacana. Fui ao segundo show da minha banda favorita com direito a foto com os membros, comecei finalmente o rascunho de Fred e Júlia (meu primeiro livro vem finalmente :'), entrei numa jornada de autoconhecimento a respeito de escrita e encontrei a minha voz na literatura. Parece que vivi cinco anos em apenas um e os astros nem me alertaram disso. Minha estante de livros cresceu, mas ao mesmo tempo que isso aconteceu a estante também foi esvaziada. Fiz uma promessa a mim mesma de que todo ano iria doar alguns livros no meu aniversário. Meus pais nem sempre tiveram bons salários e minha vó nem sempre me deu grana como hoje. Desse modo, pensei que seria muito legal proporcionar para uma garota que assim como eu, pudesse ser salva pelo livros sendo levada a enxergar outras narrativas dentro do mundo e enxergasse um lugar para ela nele.   

É coisa demais para saber numa folha de caderno né? por isso eu corri e abri a janela de nova postagem. Não vou prometer nada e nem dar spoilers, mas uma nova fase vem ai e espero conquistar novos leitores e cativar os mais velhos. Se você se sentir com vontade partir tudo bem, às vezes duas pessoas estão em tempos diferentes da vida e por isso eventualmente se desencontram ou deixam de fazer parte do mesmo ciclo. Só espero que assim como eu aprendo com a minha psicóloga toda sessão, você compreenda que é importante respeitar sua jornada e algumas pessoas que já fizeram parte dela.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Começando do zero | Escritos

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Algumas coisas acabam ficando no caminho | Escritos

Leia ouvindo: Mercy - Shawn Mendes

As coisas mudam, o tempo passa e os sentimentos não são mais os mesmos. Os pequenos detalhes que afetam tanto passaram a ser quase ignorados ou apenas vistos e deixados de lado. 

A gente cresce os sentimentos mudam. Amadurecemos e às vezes eles crescem conosco, mas na maioria das vezes ficam no caminho. Não por raiva, rancor ou ausência de reciprocidade, mas por que um dia a gente olha pra trás depois de tanto se afundar num sentimento e percebe que foi tudo um equívoco. Nada mais do que uma história que aconteceu no tempo errado ou que só não tinha para ser. 

Os sentimentos certos aparecem nas horas erradas e menos oportunas. É como se a vida quisesse nos fazer um teste de amadurecimento e quase sempre a gente reprova. Por não ter maturidade ou por simplesmente não estar preparado para isso. "O amor vem para os distraídos" e isso não significa dizer que eles estão preparados para ele e toda intensidade que vem junto com o momento.

Perdemos amores, ganhamos dores, mas aprendemos a viver com elas. E um dia elas simplesmente deixam de existir, evaporam por mais que a gente tente fugir evitar ou nos convencer que essa hora chegou. Ninguém nunca sabe o momento certo.


": frase da Isabela Freitas.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Algumas coisas acabam ficando no caminho | Escritos

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Driblando a ansiedade e criando novos personagens | Escritos

Foto: Pinterest

Tem dias que a ansiedade parece que vai me engolir.

E eu particularmente detesto isso profundamente. Às vezes é bem pesado porque eu simplesmente não consigo desligar a minha mente e dormir. Outras vezes é dilacerador internamente falando pensar demais, fazer de menos e isso se tona um ciclo constante. Se todas as coisas que penso num dia fossem anotadas provavelmente não teria tantas agendas incompletas guardadas no meu quarto.  

Porque se tem uma coisa que faço é pensar e divagar, na verdade literalmente viajo entre meus pensamentos. Sabe aquele lance de uma moeda pelos seus pensamentos acho que vi isso num filme, mas não lembro qual. Se alguém me dissesse isso provavelmente ficaria assustado com o volume e ritmo em que as ideias dançam na minha cabeça. É louco e pode ser bem desesperador às vezes, já fui rainha em sofrer por antecipação e olha me fazia um mal do cassete, mas com o passar dos anos venho conseguindo levar bem melhor com mais nitidez em determinadas situações. Hoje, penso, o que posso fazer para resolver isso? Como posso levar isso na calma sem ter um leve surto interno jogar tudo pro alto e correr pro mais longe possível? parece estranho, porém funciona. 

Nos dias que a ansiedade te domina e você não controla nada. Respirar fundo e pensar nessas coisas é uma mão na roda, mas isso não quer dizer que vai funcionar sempre. Às vezes me permito ficar na merda mesmo, sentada na minha cama sem livros (um milagre) sem música (um segundo milagre) e apreciando o silêncio que por mais seja solitário é muitas vezes onde crio minhas histórias, penso nos meus personagens converso com eles mentalmente e os imagino como se eles fossem meus melhores amigos. E então penso, é eu poderia escrever isto ou aquela história é realmente legal. Que texto de merda foi esse que pensei? ninguém leria isto, mas ai reviso dez vezes e acho que está incrível e que o mundo precisa ler.

Isso basicamente tem acontecido com mais frequência do que gostaria, mas sigo driblando a ansiedade e pondo minha saúde mental no pódio de coisas com as quais preciso me manter alerta, ou seja, no primeiro lugar antes de tudo pelo qual a maioria as pessoas não consideram importante, mas é de SUMA IMPORTÂNCIA. Apesar de existir todo um discurso de saúde mental atualmente todos nós sabemos que isso não alcança todo mundo e que nossos pais viveram numa geração completamente diferente da nossa. E inserir eles a está realidade é complicado, mas não impossível. 

E se você se identificou lendo o texto nunca é tarde para pediu ajuda, viu? (E nem para amar, eu amo esse filminho assistam) Você só precisar dar o primeiro passo.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Driblando a ansiedade e criando novos personagens | Escritos

domingo, 8 de julho de 2018

O coração escolhe o que quer | Escritos

Foto: Pinterest

Felizmente eu aprendi a levantar da cama e dizer que está tudo bem no dia seguinte. Sabe, cansei de chorar pelos cantos por você. Tem uma música da Selena que diz the heart want what it want que numa tradução literal seria o coração escolhe o quer. 

E o meu basicamente escolheu se livrar de você. Tomar um dose de amor próprio com gostinho de vodca com energético, mas quem se importa? É passado, nós somos passado. E agora olhando para trás com clareza e sendo sincera comigo mesma uma relação onde um sete pelo dois está fadada ao fracasso. Sempre soube que não passávamos de um laço daqueles que fazemos no sapato quando estamos com pressa e ele se desfaz com facilidade ao longo do dia. Mas o que me deixou confusa foi misturar razão e coração, o meu sabia o que queria o seu queria tudo e um pouco mais do que eu não tinha pra te oferecer naquele momento. Uma pena disse para mim mesma até te ver de novo na rua e nos beijarmos de novo.

Você me prometeu as estrelas e tirou meus pés do chão, mas da mesma forma que você me fez promessas fadadas ao fracasso me iludi e achei que todas elas iram se realizar num passo. Um grade demais para nós dois e curto demais para aquilo que estava prestes a se realizar na minha vida. Você disse que não tinha mais espaço para nós dois neste diálogo porque eu já tinha preenchido suas lacunas o que te deixou frustado.

Mas me diga meu amor, o que eu poderia fazer se o coração escolhe o que eu quer e ele simplesmente não escolheu por nós dois?

Existia um milhão de motivos para abandonar você, mas me fiz de cega e continuei ao seu lado. Meu erro, confesso. Tornei a corrigir assim que pude e segui meu caminho como já era esperado. E mesmo que os becos e esquinas nos esbarrassem constantemente, cada um seguiu para o seu lado. Fui viver minha vida e me tornei a mulher quem sempre quis ser (mas estava ocupada tentando juntar os pedaços desta relação fadada ao fracasso) já você não fiz muita questão de saber.

domingo, 8 de julho de 2018

O coração escolhe o que quer | Escritos

domingo, 1 de julho de 2018

As escolhas de amanhã ainda vou fazer | Escritos


Eu não gosto de magoar às pessoas. Embora tenha consciência de que isso pode fugir um pouco do meu controle. Às vezes, me pego pensando num momento aleatório e revendo se podia fazer diferente, se tinham outros caminhos dos quais ignorei ou simplesmente não prestei atenção. Só que em outros momentos isso não está no meu controle e é preciso ter consciência disso. Tanto pelo meu bem estar físico como mental, pois tem coisas que de fato são minha responsabilidade emocional, mas outras que nem de longe são. E, por isso sempre faço uma listinha mental se minhas escolhas vão afetar a vida de alguém e o quão profundo isso vai ser para mim e a outra pessoa.

Ninguém gosta de magoar ninguém. Mesmo que as pessoas digam que não se importam uma hora pôr a cabeça no travesseiro e olhar para o passado é inevitável. Por isso tenho preferido pensar que apesar do futuro ser consequência do passado minhas escolhas passadas não definem quem sou de verdade (a gente muda o tempo todo). Afinal, vivi muitas coisas e parte delas fugiram completamente do meu controle, fui honesta suficiente comigo para jogar a toalha no ano passado e admitir para minha mesma que tudo bem jogar a toalha. Já não estava bem faz tempo. Finalmente meu corpo e mente reconheceram que estava na hora de seguir. E é inevitável deixar algumas pessoas no caminho. Ninguém pode segurar ninguém nesta vida, embora sempre queremos estender a mão para o outro mesmo quando estamos até pior que ele.(pare com isso não é saudável)

Uma pessoa que admiro muito me disse uma vez que para os que são empáticos é preciso se compreender e respeitar para entender melhor aqueles que se desconhece. E me alertou que existem diversos tipos de sugadores de energia e podemos ser eles ou sofrer com eles. Geralmente, quem se põe em segundo lugar sofre com eles e quem acha que a vida de uma pessoa gira em torno de si mesmo quando existem problemas maiores os quais até desconhece, pois está tão cego que nem vê o que está na frente dos seus olhos é um sugador. Drummond dizia que "tinha apenas duas mãos e o sentimento do mundo" Cecília que "não tinha estas mãos sem força frias e mortas" e Pessoa disse antes de morrer que "não sei o que o amanhã trará". Eu costumava acreditar que não era dona do destino, mas descobri que sou dona das minhas escolhas e as escolhas de amanhã ainda vou fazer.

domingo, 1 de julho de 2018

As escolhas de amanhã ainda vou fazer | Escritos

domingo, 24 de junho de 2018

Uma carta no word | Escritos

Foto: Pinterest


Queria te escrever uma carta a próprio punho vovô, mas pensar que você nunca podeira ler ela para ti dói demais e prefiro escrever no word. Sinto tanta sua falta nos meus domingos, dos seus apelidos carinhosos e de como ficava feliz por eu gostar tanto de ler. Queria que soubesse que as pessoas talvez não tenham entendido o porque não consegui me trancar em casa num quarto quando você partiu e julgaram que não te amava.

Eu te amo tanto que dói e mesmo nunca tendo contado para você das minhas crises de ansiedade (você se foi antes), na minha cabeça não me permitir viver era ser egoísta contigo. Seu ciclo por aqui terminou e isso não significa que o meu que mal começou tem que ser como as outras pessoas querem que seja. Dois dias depois do seu enterro, ouvi Nando Reis com meus amigos, tentei me divertir e quando ele cantou pude sentir que meu coração finalmente teve paz.

Você estava em paz.   

Te ver no hospital foi muito difícil pra mim, você nem sabe o quanto, desculpe não ter ido mais vezes aquele ambiente não faz bem é um dos meus gatilhos emocionais. Guardei os adesivos das visitas no meu caderninho e não consegui escrever nada desde quando sai do seu enterro. Era como se as palavras fugissem de mim o que é frustante, pois sou metade literatura e a outra metade escrita. E não escrever sobre isso se tornou uma bola de neve que me bloqueou por meses de dizer o que sentia. 

Sinto sua falta.

Muita.

Mais do que poderia pôr em palavras.

Queria que estivesse aqui para contar dos meus livros que estão finalmente saindo da minha cabeça, pois parei de ter medo do que as pessoas vão achar e me preocupo mais se vou ser feliz com o que escrevi. Minha escrita vem tomando rumos surpreendentes e assustadores para uma garotinha que tinha diários e escrevia sobre seus desamores, as coisas que ela não entendia nos relacionamentos familiares e a morte (ainda não entendo isso, mas tudo bem). 

Cresci tanto em pouco meses que às vezes me olho no espelho e me pergunto se sou a mesma pessoa. Aprendi a me perdoar e entender que está tudo bem errar, minhas imperfeições me deixam mais leve e longe da frustração, pois de perto ninguém é "normal" e "perfeito". Não sei onde você está e se um dia terei oportunidade de dizer o quão especial tu és pra mim de novo, mas só quero que saiba que eu amo você. 

Com amor, Andresa.

domingo, 24 de junho de 2018

Uma carta no word | Escritos

terça-feira, 5 de junho de 2018

Tá tudo bem, não estar bem | Escritos

Gif: Tenor.


Às vezes a gente se cobra demais e nos condena demais por não seremos as pessoas que esperávamos que fossemos, já perceberam? É bem louco pensar nisso tanto que quando a gente para e vê o quão isso é real e nocivo pra nós mesmos. O pior é que só percebemos no meio do caminho quando já tem meio mundo bagunçado. Sempre esquecemos o contexto e nossas batalhas pessoais e só julgamos a linha de chegada e esquecemos do caminho percorrido. A gente fala tanta sobre empatia, gentileza e esquece de que você tem que ser tudo isso consigo mesmo também, não só com os outros.

Todos nós travamos batalhas pessoais importantes todos os dias e não temos que esquecer de nós dar mérito ao ter passado por uma barreira ou ter percorrido um caminho turbulento. A jornada do outro não é mais importante que a sua, não existe dor mais e menos dolorosa e muito menos competição de sofrimento. 

Tem uma frase de Extraordinário, um dos meu livros favoritos que eu gosto muito que diz: Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil. 

Escolha também ser gentil com você mesmo. Respeite suas escolhas, sua jornada e não diminua as suas dores pensando nas do outro. Isso não existe. Cada qual vive suas próprias escolhas e enfrenta o que lhe foi destinado. A vida nos move e nos leva para caminhos diferentes do esperado e isso faz parte de crescer. 

Crescer é bizarro. Afinal, um dia você acorda tem vários boletos para pagar, aluguel, luz, gás, água e internet. Tem todas as cobranças pessoais, externas, familiares e psicológicas. E temos que lidar com todos esse imprevistos e ter mais consciência de que estamos todos vulneráveis a isto. E tá tudo bem não estar bem o tempo inteiro.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Tá tudo bem, não estar bem | Escritos

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Mas você mudou tanto né? | Escritos

Gif: Tumblr

Nossa, mas você mudou tanto né?

Ainda bem que eu mudei. Tenho ouvido essa frase com mais frequência do que gostaria e pela primeira vez isso não tem me deixado triste. Nunca fui fã de mudanças adoro minha zona de conforto e se pudesse vivia apenas nela. Porém nos últimos anos muita bagunça aconteceu na minha vida, se alguém falasse para a Andresa de quinze anos que escrevia sobre amor nos cadernos da escola a mulher que ela estava prestes a se tornar não teria tanto impacto como tem agora. 

Sei que você odeia spoiler das suas séries, mas da sua vida ia estragar tudo! Senta e vai com calma. Meio mundo vai te fazer duvidar das coisas que acreditava serem tão certas e isso só vai te deixar mais forte mudanças vem pro bem não pro estrago.

Talvez você esteja fada a acreditar que precisa de coisas que nunca precisou, mas a linha entre o ter e o ser, é tênue. Dizer não para as coisas que acredita serem erradas, se libertar dos velhos pensamentos, paradigmas e até de amizades vai te deixar melhor. Você não é uma super heroína e eles estão tão melhores sem você quando tu estás sem eles, ou não, nunca vai saber de fato, pois isso não faz mais parte de quem está prestes a se tornar. 

Deixar isso tudo no caminho é doloroso, ninguém disse que seria fácil né? Algumas perguntas importantes são respondidas o tempo todo, mas observe os pequenos detalhes se conheça mais, respeite seus limites e lembre-se que você não é seus erros. Eles só fazem parte de quem você foi um dia.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Mas você mudou tanto né? | Escritos

sábado, 14 de abril de 2018

Eu te disse adeus no meu bloco de notas | Escritos

foto: tumblr


Escrevi seu adeus naquele meu celular velho no bloco de notas que eu nunca vou mais conseguir acessar, pois esqueci de fazer backup dos últimos textos. Queria poder reler e lembrar de tudo, mas só me recordo de algumas partes. Aquele dia tinha sido difícil chorei de saudade uma parte da madrugada toda e não aguentava mais guardar o que sentia dentro do peito.

Cada verso que escrevi jurei não gostar mais ti, não te escrever jamais. Pelo menos enquanto houvesse sentimento dessa história inacabada. Esqueci minha banda favorita por alguns meses e quando tocou de novo só senti saudades, mas não aquela saudade que dá frio na barriga só de pensar em te encontrar de novo ou de lembrar dos nossos momentos. Aquela saudade com gostinho de adeus. 

Era o fim, meu coração tinha finalmente aceitado. Você se foi, eu também e trilhamos histórias diferentes. Hoje, nossos caminhos ainda se cruzam, porém com menos frequência. Andar na rua e pensar em trombar em você já não me assusta mais e nem me deixa com medo de sentir aquela avalanche de emoções de novo. 

Andar pelos mesmos lugares da cidade não dói tanto, só me trás aquela sensação de que o que foi pra ser já foi. Não tinha como voltar no passado e fazer diferente, pois a dor ensina a gente. Não dá forma mais agradável, porém toda escolha abre uma janela de possibilidades. 

sábado, 14 de abril de 2018

Eu te disse adeus no meu bloco de notas | Escritos

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Uma história de amor digna de sessão da tarde | Escritos


Seu abraço tinha cheiro de casa, esperança e saudades. Meu escritor favorito disse uma vez que lar é onde mora o coração. É possível que o meu seja você? Suas lembranças bagunçaram minha semana conturbada e nebulosa assim como o final da nossa história. Passo os dedos entre seu rosto e quase não lembrei que cicatriz na sobrancelha e do lábio rachado, pois você sempre esquece de beber água.

A familiaridade me deixa assustada. De tanto pedi a mim mesma para esquecer os detalhes eles se tornaram fixos na minha mente e volto a recordar desses  momentos sempre quando escuto nossas músicas. A playlist apaixonante do que era para ser uma paixão, mas se tornou uma história de amor digna de sessão da tarde que os espectadores ficam decepcionados porquê a gente se separa no final.

Observo seus olhos sob a luz do sol outra vez, o dourado cortante que brilha mais que seu sorriso. Mesmo com a sintonia de sempre, não consigo mais saber o que eles dizem através da profundidade que ainda restou parece que um abismo cresceu e a nossa conexão com os olhos foi desfeita ou a gente só não sabe como se reconectar e começar tudo de novo? 

Acho que finalmente compreendemos que corremos assustados em direções opostas me lembro de tudo muito bem.

Não dá pra jogar tudo fora o enredo continua fresco na nossa mente. Nem dá pra apagar essa vida e começar tudo agora ao reescrever a nossa história. Precisamos devolver esse livro a estante e escrever outro, dessa vez com uma roteirista diferente, protagonistas novos, naquela esquina do cinema com o café e começar tudo novo.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Uma história de amor digna de sessão da tarde | Escritos

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Vulnerável | Escritos


Foi difícil escrever essa semana uns conflitos pessoais tomaram grandes proporções que não estava esperando, mas que acabou servindo de inspiração mais uma vez. Acredito que ninguém nunca está preparado de verdade. Mesmo sabendo que todo ciclo possivelmente um dia se fecha, ainda sim não aprendemos a lidar com isso de forma mais tranquila. Então, se inicia uma guerra onde é preciso tomar cuidado para não enfrentar essa luta sozinho e manter sua sanidade mental estável. No momento é o que está em jogo, então precisamos saber a hora de parar. E não se torturar, nem se ferir de forma tão covarde contra si mesmo. 

Sabe aquele sorriso do texto anterior? Então. Essa semana ele apareceu nos meus sonhos e assim como qualquer sonho bom esse não chegou a se tronar real. E eu acordei, me dei conta de que de fato as coisas já não são como eram antes, que tudo que eu precisava agora era aprender a chutar o balde e enterrar todo esse assunto, só que dentro de mim. E vomitar todas as vezes que for preciso aqui e não mais pra quem já tem certeza de tudo que ainda sinto e que já não sente mais. Não é fácil viver em um quadrado nada confortável, temos que ir além, passar pelo deserto até achar um oásis. 

No meio da madrugada de domingo para segunda quando todo mundo dorme esperando a semana que começa, alguém está pensando sobre todo adeus. Alguém está pensando em você. Em algum lugar alguém lembra do amor de um amor passado. Lembra, não querendo resgatar o amor, mas como quem vê, uma foto antiga do dia em que ficaram juntos e sorri. E o pior do fim dos amores não é o fato do fim em si. O pior de um antigo amor é a ternura inevitável das lembranças. 

Então com isso escrever um manuscrito com sentimentos que te afligem todos os dias é tão difícil quanto uma prova final da faculdade. A diferença é que na prova, mesmo sendo final, você consegue mais uma chance. Mas já no amor, quando ele já não está mais sendo servido na mesa como prato principal, você precisa levantar. Sem reciprocidade é impossível manter um sentimento estável por muito tempo. É primordial que em uma boa relação tudo seja mútuo. Eu te amo, eu também te amo, eu te respeito, eu também te respeito. Isso pode durar bem mais que uma novela, sem precisar terminar quando o semestre acabar sabe? Enquanto os personagens existirem. Contanto que existam um para o outro por inteiro. Ninguém completo de si, merece metade do outro. 


É por isso que eu amo escrever. Cada comentário positivo e de identificação pessoal de vocês, me faz perceber o quanto que é importante citar o amor. Pelo menos aqui. Além de se identificar, conseguem passar pra mim a esperança de que não estou sozinho. Isso é gratificante demais. 

Então, hoje, deixo aqui nesse texto meu sopro de nostalgia,que pode ser o seu sopro de nostalgia. Escrito num papel. Tudo que já vivenciamos e dizemos um para o outro para assim se eternizar. Já que nós não nos eternizamos.


Adeus, alguém precisava dizer!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Vulnerável | Escritos